Contágio pelo coronavírus é maior para quem mora no mesmo espaço



Cerca de 75% das infecções secundárias ocorrem dentro de cinco dias após os primeiros sintomas no paciente inicial.


A pandemia ocasionada pela COVID-19 ganhou dimensões incalculáveis. Alguns locais ditos “seguros” se tornaram propícios para o contágio pelo coronavírus. É o caso dos lares onde moram mais de uma pessoa, sejam familiares ou não. Em estudo recente publicado na revista JAMA Network Open, pesquisadores analisaram a transmissão doméstica do vírus e identificaram que moradias compartilhadas são pontos críticos para contaminação, mesmo em áreas onde a transmissão na comunidade é reduzida.


Para chegar à conclusão, os envolvidos analisaram 54 estudos em mais de 20 países. A analista médica da CNN, Leana Wen, diz que o estudo reforça “o quão contagioso é o vírus que causa a COVID-19 e como é difícil não infectar outras pessoas se alguém vive em habitações lotadas ou multigeracionais”.


Cônjuges correm maior risco de contágio pelo coronavírus


O estudo mostrou que cônjuges têm maior risco de contaminação, devido a dividir o mesmo quarto, intimidade e contato prolongado. A chance fica ainda maior se um dos dois ou algum membro da casa apresentar sintomas da doença. Ainda de acordo com a análise, foi observado que adultos também têm mais probabilidade quando comparados com crianças.



Foto: Elitprod / Shutterstock


Tempo para contágio


Um outro estudo, realizado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doença dos Estados Unidos, concluiu que, para quem convive no mesmo ambiente, a propagação do contágio é mais acelerada. Mais da metade das pessoas (53%) que viviam com indivíduo diagnosticado com Covid-19 foram infectadas em uma semana. Cerca de 75% dessas infecções secundárias ocorreram dentro de cinco dias após os primeiros sintomas no paciente inicial.


Os pesquisadores identificaram também que menos da metade dos infectados que convivem no mesmo lar apresentavam sintomas no primeiro momento, quando a infecção foi detectada pela primeira vez.


“Muitos não relataram sintomas ao longo de 7 dias de acompanhamento, ressaltando o potencial de transmissão de contatos secundários assintomáticos e a importância da quarentena”, relatou a equipe do CDC.


Desafios de fazer a quarentena entre familiares


Não é fácil isolar-se dentro de sua própria casa, mas é extremamente necessário quando se está com o vírus. Os padrões de propagação sugerem que grupos de pessoas que moram próximas correm maior risco de infectar umas às outras.


Além do isolamento físico, outra opção é o uso contínuo da máscara dentro de casa por parte de todos os moradores. A atitude foi 79% eficaz na prevenção do contágio, de acordo com um estudo recentemente publicado no conceituado “The BMJ”.

Alguns cuidados e medidas precisam ser tomados a partir do momento em que um indivíduo apresenta sintomas. Confira a lista do que é apropriado ter e fazer em casa para evitar a transmissão do coronavírus para outros membros da casa:

- Termômetro para monitorar a febre - Antitérmicos para reduzir a febre - Máscaras faciais e luvas descartáveis para usar constantemente ou quando necessário - Sabonete comum e desinfetante à base de álcool 70% - Produtos de limpeza e desinfetante, incluindo os que higienizam alimentos - Não compartilhe utensílio de cozinha, como copos, talheres e pratos - Separe uma lixeira para uso exclusivo da pessoa contaminada - Melhore a circulação da casa abrindo janelas sempre que possível

Recomendações sobre o fim do isolamento


Se você ou algum familiar não apresentou sintomas, você deve esperar dez dias após o primeiro dia de sintoma. Para quem estava sintomático, é preciso esperar 14 dias após esse mesmo período.


“Um número limitado de pessoas com doença grave pode produzir vírus competente para replicação além de dez dias, o que pode justificar a extensão da duração do isolamento e precauções por até 20 dias após o início dos sintomas”, conclui os pesquisadores do CDC.


Em alguns casos, a perda do paladar e do olfato pode durar semanas ou até meses após a recuperação, mas não significa que precise permanecer isolado. No entanto, em casos graves e com complicações, pode ser necessário ficar mais tempo em isolamento. Quem define o período é o médico que está acompanhando o paciente.


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